Pai espanca bebê até a morte pelo fato de ela ter nascido menina, em PE

Um pai foi preso em flagrante por espancar uma bebê de cinco meses de idade até a morte, em São Lourenço da Mata, em Recife (PE).

Segundo o Conselho Tutelar da cidade, a mãe da vítima contou que o marido, Augusto Silva da Cruz, de 23 anos, assassinou a filha por não aceitar o fato de a criança ter nascido menina.

A Polícia Civil informou, nesta segunda-feira (20), que o crime ocorreu na periferia de São Lourenço da Mata, na sexta-feira (17).

O assassinato da bebê de cinco meses ocorreu em meio a um histórico de violência familiar. De acordo com a Delegacia de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA), há três meses, um caso de agressão contra a criança já havia sido denunciado.

O fato foi registrado em um boletim de ocorrência e seguiu para a Delegacia de São Lourenço, também responsável pela investigação do homicídio.

O Conselho Tutelar informou que a criança já tinha sido vítima de maus-tratos anteriormente. “Na sexta-feira (17), ela deu entrada no Hospital da cidade, com vários hematomas e lesões na cabeça. A mãe contou uma história que ela tinha caído”.

Por causa do estado grave, a menina foi transferida para um Hospital na área central do Recife. Segundo a unidade de saúde, ela deu entrada na sexta-feira por causa de espancamento, mas já estava sem vida quando chegou à emergência pediátrica. Tentaram ressuscitar a menina várias vezes, mas sem sucesso.

Depois de ser pressionada, a mãe admitiu que o marido tinha espancado a criança.

A menina era a primeira filha do casal, segundo o Conselho Tutelar. A mãe também era vítima de violência doméstica. Ela teve outros filhos de relacionamento anteriores, que moram na casa de parentes.

Depois do crime, a população tocou fogo na casa da família e a mãe da criança foi para casa de parentes em um município do interior.

Até a manhã desta segunda (20), não havia um responsável para fazer a liberação do corpo da bebê que está no Instituto Médico Legal (IML).

O pai da criança, foi levado para a delegacia da cidade e autuado por homicídio. Ele passou por audiência de custódia, que determinou a prisão preventiva.

“—Agora não se pode nem nascer mulher. Por causa desse discurso de ódio, as pessoas acham que podem resolver tudo batendo, espancando e matando. É chocante”, declarou uma conselheira tutelar do município.
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