O ex-presidente Jair Bolsonaro, declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou que vai registrar sua candidatura à Presidência da República em 2026.
“Eu vou até o último momento buscar pela minha possibilidade de disputar a eleição”, disse o ex-presidente em entrevista à Folha de S.Paulo.
“Eu não me vejo impedido de forma legal de disputar a eleição. As duas inelegibilidades, uma por se reunir com embaixadores, abuso de poder político, não tem cabimento. É competência minha reunir com embaixadores e não de ninguém do TSE. A segunda, abuso de poder econômico. Quando acabou o 7 de Setembro, eu deixei minha faixa na cadeira e fui para o carro do Silas Malafaia e falei para talvez um milhão de pessoas. Qual a estrutura do 7 de Setembro que eu usei para isso aí? Nenhuma estrutura. Nenhuma“, se defendeu Bolsonaro.
Questionado se a decisão de registrar a candidatura no TSE se assemelha ao que Lula fez em 2018, Bolsonaro negou e evitou a comparação.
“Me compara com o Lula não, por favor. Ele passou condenado por três instâncias por corrupção. Eu fui condenado em um tribunal político. Eu acho que ninguém tem dúvida que o TSE é um tribunal político“, disse.
As condenações de Lula foram posteriormente anuladas pelo STF, permitindo assim que ele se tornasse “ficha limpa” e voltasse a se candidatar.
Bolsonaro é acusado de cinco crimes, cujas penas somadas ultrapassam 40 anos.
Questionado se uma eventual prisão por todos esses crimes significaria o fim de sua carreira política, ele afirmou que, na realidade, “é o fim da minha vida. Eu já estou com 70 anos”. “Completamente injusta uma possível prisão. Cadê meu crime? Onde eu quebrei alguma coisa? Cadê a prova de um possível golpe? A não ser discutir dispositivos constitucionais que não saíram do âmbito de palavras“, continuou, em entrevista à Folha, divulgada neste sábado (29).
Fraude no cartão de vacina
Nesta semana, o STF arquivou o inquérito contra Jair Bolsonaro por fraude no cartão de vacina durante a pandemia de covid-19. A decisão acontece após pedido da PGR, que não encontrou provas contra o ex-presidente.
“Depois de meses de manchetes, prisões arbitrárias, buscas e espetáculos, admitiram o óbvio: não havia qualquer prova contra mim”, disse Bolsonaro em postagem nas suas redes sociais. “É o mesmo método usado no inquérito das joias: uma narrativa distorcida, montada para manchar minha imagem e tentar abalar o apoio popular que construí com anos de vida pública“.
Na mesma publicação, o ex-presidente diz que a verdade resiste. “E o povo brasileiro segue comigo”.
“Nós vamos vencer! E em 2027 eu vou subir a rampa do Palácio do Planalto com apoio do povo brasileiro para continuar minha missão de derrotar o crime que assola os brasileiros e de trazer a lei e ordem de volta ao Brasil! Nós vamos acabar com essa caça as bruxas e restaurar a Justiça e todas as nossas liberdades. O arbítrio não triunfará!“, conclui a publicação.