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“Só faltou me bater”: Prefeito de Bela Vista do Toldo é acusado de surto e ameaças contra servidora

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Situação teria sido motivada por questionamentos sobre o uso indevido de carros da saúde por “comadre” do prefeito.

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Uma grave denúncia registrada em boletim de ocorrência nesta quinta-feira (19), o qual a reportagem do Canoinhas Online teve acesso, expõe um episódio de agressividade, ameaças e humilhação dentro do gabinete do prefeito de Bela Vista do Toldo, Francisco Carlos Schiessl.

A denúncia foi formalizada pela coordenadora de Transportes do Posto de Saúde e da Vigilância Sanitária do município, que relata ter sido alvo de um “surto psicótico”, gritos, ameaças e acusações criminais durante reunião ocorrida no período da manhã.

Reunião começou com tom agressivo

De acordo com o boletim de ocorrência, a coordenadora e dois colegas de trabalho foram convocados para uma reunião no gabinete do prefeito. Segundo o relato, o prefeito teria iniciado a conversa diretamente com a coordenadora, em tom agressivo, desrespeitoso e humilhante. Ele estava acompanhado da esposa, Genice Kucarz Schiessl.

Ainda conforme o documento, o prefeito questionou se a servidora estava satisfeita com o trabalho. Após ela responder que sim, perguntou o motivo da indagação. O prefeito então teria alegado que havia recebido “muitas reclamações” sobre o atendimento dela.

A coordenadora rebateu, afirmando que não realiza atendimento ao público, sendo responsável apenas pelas diárias dos motoristas da saúde e pelo controle do ponto eletrônico.

Conflito teria origem em questionamento sobre uso de veículos oficiais

O clima teria se intensificado quando o prefeito questionou por que a coordenadora teria interpelado sua comadre, Jucelia Prestes, sobre o uso de veículos da saúde para fins pessoais. A comadre, neste caso, tem parentesco com o homem daquele caso, que repercutiu nacionalmente, em que Carlinhos Schiessl ameaçou um policial militar.

Segundo o boletim, a coordenadora teria imposto limites à comadre do prefeito, afirmando que ela estaria interferindo no trabalho do setor e levando informações distorcidas tanto ao prefeito interino na época, Dinei Berdinaski – período em que o prefeito estava afastado do cargo para realizar uma cirurgia no coração, quanto para Carlinhos Schiessl.

No áudio enviado à redação, a coordenadora afirma que, desde agosto — quando foi nomeada para o cargo — era responsável pelas diárias dos motoristas e pelo controle de ponto, mas não comandava diretamente os veículos.

Ela relata que, durante o período em que o prefeito esteve afastado por motivos de saúde, a comadre dele teria passado a interferir com mais frequência no setor, inclusive reproduzindo áudios do prefeito para intimidar servidores e, segundo a denúncia, tentando obter vantagens no uso dos carros da saúde, passando a utilizar com frequência veículos oficiais, inclusive para deslocamentos pessoais, mencionando idas recorrentes a um “curador”.

“Ele entrou em surto, bateu na mesa e disse que mandava em mim”

De acordo com o depoimento da servidora e áudios enviados à redação, o prefeito teria “entrado em surto”, batendo com força na mesa e gritando que o uso do transporte por sua comadre não era da conta da coordenadora. Em tom de superioridade, Schiessl teria afirmado: “Eu sou seu chefe e eu mando em você”.

O documento também aponta que a primeira-dama teria permanecido durante a reunião fazendo deboches e humilhações, com “ar de superioridade”.

Acusação de formação de quadrilha e ameaça criminal

O momento mais grave da reunião, segundo o boletim, ocorreu quando o prefeito acusou a coordenadora de “formação de quadrilha” e afirmou que ela responderia criminalmente pelas diárias dos motoristas da saúde.

No áudio, ela rebate:

“Ele me acusou de crime que eu não cometi. Falou que eu ia responder criminalmente pelas diárias, sendo que da minha parte estava tudo certo.”

Ela afirma que, caso alguma irregularidade tivesse ocorrido, não seria de sua responsabilidade direta, pois exercia função administrativa limitada às diárias e ao ponto eletrônico.

Pedido de demissão imediato

Diante da situação, a coordenadora afirma que declarou, ainda durante a reunião, que estava se demitindo por não aceitar aquele tipo de tratamento.

Segundo o boletim, após o anúncio do pedido de exoneração, o prefeito teria se alterado ainda mais, gesticulado em direção à porta e determinado que ela se retirasse do gabinete.

Em seguida, ela se dirigiu ao setor de Recursos Humanos para solicitar seu desligamento imediato.

“Só faltou me bater”

No áudio encaminhado à redação, a coordenadora diz que o prefeito “quase a agrediu” e que “só faltou bater”. Ela afirma estar abalada, relatando nem conseguir processar emocionalmente o ocorrido.

“Eu pedi as contas imediatamente. Não aceito esse tipo de coisa.”

Ela também declara que enviou mensagens ao prefeito e à primeira-dama pedindo que provassem as acusações feitas contra ela. As mensagens não foram respondidas.

Registro formal

A coordenadora relata ter se sentido coagida, ameaçada, humilhada, injustiçada e desrespeitada. No boletim de ocorrência, afirma jamais ter imaginado sofrer tamanha humilhação “de quem deveria dar exemplo de respeito, prudência e integridade”.

A reportagem deixa espaço aberto para manifestação do prefeito Francisco Carlos Schiessl e da primeira-dama Genice Kucarz Schiessl.

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