Santa Catarina acendeu o sinal de alerta para a baixa adesão à campanha de vacinação contra a gripe (influenza). Faltando poucos dias para o encerramento oficial da mobilização — marcado para o próximo domingo, dia 31 de maio —, apenas um dos 295 municípios catarinenses conseguiu ultrapassar a meta estipulada pelo Ministério da Saúde.
São Miguel da Boa Vista, pequena cidade localizada no Extremo Oeste do estado, é a única a superar a marca de 93% de cobertura vacinal entre os grupos prioritários. No sentido oposto, a realidade de 137 municípios preocupa as autoridades de saúde, com índices de imunização que sequer alcançam os 40%. Apesar do cenário de baixa procura, a média geral de Santa Catarina (atualmente em 38%) ainda se mantém acima do patamar nacional, que registra 35% de cobertura.
Casos graves, internações em UTI e mortes no Estado
A baixa cobertura vacinal coincide com a chegada das temperaturas mais baixas do outono e inverno, período em que ocorre um aumento expressivo na circulação de vírus respiratórios. O monitoramento da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) aponta que, em 2026, Santa Catarina já contabilizou 600 hospitalizações por influenza, das quais 125 pacientes necessitaram de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Até o momento, 50 mortes foram confirmadas no estado em decorrência da doença.
O diretor da Dive, João Augusto Fuck, faz um apelo para que a população procure os postos de saúde o quanto antes:
“Temos observado um aumento dos casos de influenza no estado, além de hospitalizações e óbitos de crianças e idosos. A vacina é fundamental para reduzir as formas graves. Quanto antes as pessoas se vacinarem, mais cedo estarão protegidas antes do pico sazonal das doenças respiratórias”, destacou Fuck.
Idosos lideram procura e crianças acendem alerta
A disparidade na adesão entre as diferentes faixas do público-alvo é um dos fatores que mais chamam a atenção da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Enquanto o grupo de idosos registra a maior cobertura no estado, ultrapassando os 41%, o índice entre as crianças de 6 meses a menores de 6 anos não chega a 25%.
O público-alvo prioritário da campanha gratuita inclui idosos, gestantes, puérperas, trabalhadores da saúde, pessoas com comorbidades, professores e crianças pequenas.
Para tentar reverter os índices negativos nesta reta final, o Estado confirmou o recebimento de uma nova remessa contendo 328 mil doses da vacina nesta semana. Com o novo lote, Santa Catarina ultrapassará a marca de 2 milhões de doses recebidas em 2026. O secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, reforçou a necessidade de ações locais: “Reforçamos o pedido para que os municípios façam a busca ativa do público prioritário. Mesmo com o encerramento da campanha, é fundamental que a população continue procurando a vacina”.
Consciência coletiva na prática
Para quem já garantiu a dose, a vacina é vista como um dever de cidadania. Foi o caso do perito criminal Marcelo Martins, de 61 anos, que compareceu à Policlínica da Mulher e da Criança, em Florianópolis, para se imunizar.
“É uma proteção que o Estado oferece e que é uma garantia para a nossa saúde. Infelizmente, muitas pessoas ainda não enxergam dessa forma. Eu tenho mais de 60 anos e sempre tomei as outras vacinas também. O Estado faz a parte dele oferecendo, mas nós também precisamos fazer a nossa”, comentou o morador.
Além da imunização nas salas de vacina, a pasta da Saúde orienta a população a manter cuidados preventivos básicos no cotidiano, tais como a higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em pó, o uso da etiqueta respiratória (cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar) e o isolamento voluntário em caso de sintomas gripais visíveis.

















