A prefeita de Canoinhas, Zenilda Lemos, assinou nesta sexta-feira (12) o Decreto nº 143/2026, que declara oficialmente o estado de alerta climático em todo o território municipal pelo período inicial de 180 dias. A medida preventiva foi adotada em resposta direta aos relatórios meteorológicos globais e nacionais que confirmam o início e a tendência de intensificação do fenômeno climático El Niño para o segundo semestre de 2026.
Na última quinta-feira (11), a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), após meses de monitoramento do aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, confirmou a ativação do fenômeno.
Embora o El Niño atue com fraca intensidade neste momento, os modelos de previsão indicam uma elevação drástica na probabilidade de chuvas torrenciais acima da média, enchentes, enxurradas e alagamentos na região do Planalto Norte catarinense nos próximos meses.
Prevenção antecipada e alinhamento com o Estado
A prefeitura ressalta que o estado de alerta climático não se confunde com situação de emergência ou estado de calamidade pública. Trata-se de uma ferramenta jurídica e administrativa que desburocratiza e acelera a mobilização antecipada da máquina pública para blindar o município antes que o período de cheias comece.
A decisão acompanha os pareceres técnicos emitidos pela Defesa Civil de Santa Catarina, Epagri/Ciram, Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Com o ato, Canoinhas também se alinha às diretrizes do Governo do Estado, visto que o governador Jorginho Mello já emitiu alerta semelhante para o território catarinense.
“Estamos agindo com responsabilidade e antecedência. Nossa prioridade é proteger as famílias canoinhenses, preservar a infraestrutura pública e garantir que os serviços essenciais continuem funcionando. O decreto permite ampliar a integração entre as secretarias e fortalecer as ações preventivas para que Canoinhas esteja preparada para enfrentar os possíveis impactos do El Niño”, destacou a prefeita Zenilda Lemos.
Ações práticas autorizadas pelo decreto
Com o decreto em vigor, as secretarias municipais ganham autonomia para atuar de forma integrada e ágil em frentes de trabalho consideradas cruciais para conter o impacto das águas. O plano de contingência prevê:
- Sistemas de Drenagem: Mutirões para limpeza, desobstrução e desassoreamento de leitos de rios, valas abertas, galerias pluviais, bueiros e bocas de lobo na área urbana;
- Infraestrutura Rural: Manutenção intensiva e recuperação emergencial de estradas no interior para evitar o isolamento de comunidades rurais, assegurando as rotas do transporte escolar e o escoamento da produção agrícola;
- Logística Social: Preparação antecipada e mapeamento de abrigos temporários sob a coordenação da Secretaria de Assistência Social;
- Segurança Escolar: Plano de vistorias estruturais preventivas na rede municipal de ensino para garantir a integridade dos colégios e a segurança dos alunos.
Para dar velocidade aos trabalhos, o documento autoriza o compartilhamento temporário de maquinários pesados, caminhões, equipamentos e equipes técnicas entre as diferentes pastas do governo municipal. A vigência do decreto é de 180 dias, mas a prefeitura poderá prorrogar o prazo caso os monitoramentos climáticos indiquem a permanência de riscos meteorológicos severos.
El Niño em desenvolvimento
O Climate Prediction Center (CPC) da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) divulgou ontem (11), a atualização do monitoramento do aquecimento das águas no Pacífico Equatorial, indicando que a temperatura da superfície do mar está 0,5°C acima do normal no trimestre março-abril-maio, ou seja, já estamos sob condições de El Niño. No momento, o fenômeno atua com fraca intensidade, mas deve se intensificar ao longo dos próximos meses.
O El Niño afeta o clima em várias partes do Planeta, incluindo o Brasil, causando secas no norte, ondas de calor no Centro Oeste e Sudeste, bem como chuvas volumosas na região Sul. Em Santa Catarina, o fenômeno deixa o inverno mais úmido, chuvoso e com frio menos rigoroso.
Além disso, é na primavera que os totais de precipitação tendem a ficar mais elevados, com alto risco de chuva acima da média entre setembro e novembro, podendo chegar ao dobro e triplo do esperado para a época do ano em algumas regiões do Estado.
A Secretaria de Defesa Civil de Santa Catarina (SDC/SC) observa que a magnitude dos impactos não é determinada apenas pela intensidade do El Niño no oceano. Ela depende também da combinação de condições atmosféricas específicas de cada episódio de chuva e da vulnerabilidade existente em cada região.


























