Mafra: Servidores públicos e empresários são indiciados por crime contra a prefeitura

“Esquema” fraudava o registro de horas trabalhadas, em maquinários que faziam manutenção de estradas no interior do município.

Dez pessoas foram indiciadas por crime contra a administração pública, corrupção e associação criminosa, após a Polícia Civil concluir investigações no âmbito da operação “Hora Extra” em Mafra.

Entre os indiciados estão funcionários públicos, empresários e tercerizados. Após os indiciamentos, os autos do inquérito policial foram enviados ao Ministério Público na última segunda-feira (10).

A operação Hora Extra apurava um “esquema” de falsificação de registros de horas de 10 caminhões e 6 retroescavadeiras, que efetuavam serviços destinados a manutenção das estradas do interior do município de Mafra.

Segundo a Polícia Civil, os horímetros (equipamentos que marcam horas de trabalho da máquina), funcionavam mesmo com a máquina desligada.

Equipamento usado para marcar as horas trabalhadas funcionava mesmo com a máquina desligada. Foto: Polícia Civil/Divulgação

A operação teve início em 2019, quando após denúncias, e a pedido do Ministério Público, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em Mafra e no município de Barra do Sul.

As buscas foram feitas na Prefeitura, na Secretaria de Obras, Secretaria de Planejamento e Finanças, na residências de servidores públicos e na empresa prestadora de serviço.

Na ocasião foram presos preventivamente o diretor de obras da Prefeitura de Mafra e o encarregado da empresa terceirizada. O proprietário da empresa vencedora da licitação estava foragido.

Segundo o delegado Nelson Vidal, a Justiça de Mafra, a pedido da Polícia Civil e do Ministério Público, decidiu pela suspensão do exercício da função pública do secretário de Obras e de dois fiscais chefes da Prefeitura de Mafra.

Com as investigações, constataram-se indícios da prática dos crimes de estelionato contra a administração pública, corrupção passiva e ativa, bem como, de associação criminosa.

Durante o curso do procedimento policial, além das buscas/apreensões e prisões preventivas dos envolvidos, foram analisadas mais de mais de 134 mil páginas de documentos apreendidos e laudos dos equipamentos eletrônicos (horímetros).

“A investigação apontou materialidade e indícios que os envolvidos, de forma dolosa e premeditada, faziam uso de horímetros secundários e adulterados, que marcavam horas de trabalho da máquina somente com a energia da bateria do veículo, fraude que acabava por desviar recursos públicos do erário municipal”, ressaltou o delegado Nelson Vidal.

As diligências investigatórias contaram com o apoio de policiais civis de Araquari e Balneário Barra do Sul e de peritos do IGP de Joinville.