A comunidade de Indaial acompanha com indignação os desdobramentos da morte da jovem Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, que estava no sétimo mês de gestação. A bebê também morreu. A família enlutada denuncia que o Hospital Beatriz Ramos falhou em diagnosticar a gravidade do quadro da gestante, que procurou o pronto-socorro repetidamente entre os dias 30 de março e 2 de abril, sendo mandada de volta para casa em todas as passagens.
Maria Luiza vivia a expectativa de sua primeira gravidez. Cerca de duas semanas antes de falecer, ela havia sido diagnosticada com diabetes gestacional durante o pré-natal na unidade de saúde do bairro Tapajós, o que exigia um monitoramento mais rigoroso de seu estado de saúde.
Cronologia da busca por socorro
Os relatos da mãe da jovem, Luana, detalham uma sequência de atendimentos que não resultaram em internação, apesar da persistência dos sintomas:
- Segunda-feira (30/03): Maria Luiza sentiu-se mal e foi sozinha ao hospital. Realizou exames de sangue e urina que, na ocasião, não apresentaram alterações graves. Foi liberada.
- Terça-feira (31/03): Com dores persistentes, retornou ao hospital acompanhada da mãe, que alertou a equipe sobre o diabetes gestacional. Os novos exames já mostravam queda nas plaquetas e urina alterada. A médica de plantão suspeitou de dengue, mas decidiu não internar a paciente.
- Quarta-feira (01/04): A gestante voltou com febre e dores intensas. Segundo a família, ela recebeu medicação e soro, mas não passou por novos exames. Recebeu alta novamente após algumas horas em observação.
- Quinta-feira (02/04): Sem suportar o mal-estar, Maria retornou ao hospital na madrugada. O atestado médico registra sua liberação às 4h30min da manhã.
Desfecho trágico
Na manhã de quinta-feira, ao perceber que a filha não apresentava melhora, a família a levou à unidade de saúde onde ela fazia o pré-natal. A equipe do posto de saúde reagiu com alarme ao ver o estado da jovem: ela estava apática, cansada, com manchas roxas pelo corpo e sinais de desidratação severa.
Ela foi enviada imediatamente ao Hospital Beatriz Ramos em um carro da prefeitura, acompanhada por uma enfermeira. Ao dar entrada, o diagnóstico foi de infecção generalizada.
Maria foi intubada e transferida para o Hospital Santo Antônio, em Blumenau, onde foi submetida a uma cesariana de emergência. A bebê, no entanto, já estava sem vida. Maria Luiza resistiu por apenas mais uma hora e meia antes de falecer.
Hospital instaura investigação técnica
Em nota oficial, a Associação Beneficente Hospital Beatriz Ramos afirmou que iniciou “imediatamente a adoção de todas as medidas cabíveis para o esclarecimento completo dos fatos”. A instituição informou que o caso passa por uma investigação técnica rigorosa conduzida pela Comissão Técnica Hospitalar, que revisará todo o processo assistencial, desde o primeiro atendimento até o desfecho.
O hospital declarou seguir os protocolos do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Ministério da Saúde, expressando solidariedade à família.
Mãe e filha foram sepultadas juntas na última Sexta-Feira Santa (03), sob forte comoção e clamor por justiça por parte de amigos e familiares nas redes sociais.
O companheiro da jovem fez uma publicação emocionante nas redes sociais, onde contou sobre o amor por Maria, os sonhos do casal e a felicidade de esperarem juntos uma filha.
“Eu amo muito vocês, minhas princesas, Maria, você fez parte da minha vida e sempre vai estar presente nela, sempre vai ocupar o seu lugar aqui no meu coração. E filha… Eu não vou ter a honra de criar você, de cuidar de você, de levar você à escola, de botar uma roupinha que a mamãe diria que não estava combinando. Mas eu tive a honra de pegar você no colo, de te beijar. Você sempre vai ser a filhinha do papai, sempre vai ser o meu maior amor. Eu sempre vou amar vocês”.










