Mais de uma década após o crime, o Tribunal do Júri de Garuva, no Norte catarinense, condenou uma mulher e o seu amante a 14 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo assassinato do marido da acusada. O julgamento ocorreu nesta terça-feira (7) e acolheu integralmente a tese apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
A acusação foi sustentada em plenário pela Promotora de Justiça Saraah Seben Fiamoncini, que demonstrou o envolvimento direto e a coautoria dos dois réus no homicídio qualificado. De acordo com a denúncia do MPSC, os amantes planejaram meticulosamente a morte da vítima com o duplo objetivo de assumirem publicamente o relacionamento afetivo e usufruírem do patrimônio e dos bens do homem.
A emboscada
O crime foi executado em novembro de 2012. Conforme os autos do processo, a vítima foi atraída pela própria companheira sob o falso pretexto de celebrarem o aniversário de relacionamento do casal. O encontro romântico, contudo, era uma armadilha que serviu como emboscada para que o crime fosse consumado com a participação do corréu.
Ao término da sessão de julgamento, o conselho de sentença reconheceu as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima (emboscada). Diante do veredicto, o juiz presidente da sessão determinou a execução imediata da pena privativa de liberdade, negando aos réus o direito de recorrerem da sentença em liberdade.
Alívio familiar após mais de uma década
Para a filha da vítima, Elisandra Santiago Mahl, a decisão do Tribunal do Júri encerra uma dolorosa jornada em busca de respostas e justiça que se arrastou por 14 anos.
“Eu pedia muito pela verdade, porque meu pai foi uma pessoa correta. Eu e meu marido sempre tivemos essa convicção de que a verdade iria aparecer. A família sai aliviada, com a sensação de dever cumprido”, desabafou Elisandra.
A filha também manifestou publicamente o seu agradecimento ao atendimento humanizado prestado pela promotoria do caso durante o processo. “A Promotora Saraah foi impecável. Tivemos um atendimento humanizado, que vai além da profissão. É caráter. Ela conseguiu apresentar os fatos de forma técnica, respeitosa e sem espetáculo”, concluiu.


























