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Filho que matou pai e tentou assassinar mãe por herança pega mais de 43 anos de prisão

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Caso chocante: com a ajuda de um amigo, filho matou o pai, tentou matar a mãe – que sobreviveu e depôs a portas fechadas no Fórum da cidade.

O jovem acusado de planejar a morte dos próprios pais para ficar com a herança em Indaial, no Vale do Itajaí, e o comparsa dele foram condenados, em júri popular, a penas que somam mais de 82 anos de prisão, divulgou o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) nesta sexta-feira (29).

O Promotor de Justiça Thiago Ferla conduziu a acusação em uma sessão que se estendeu por mais de 20 horas, garantindo a responsabilização penal em um dos crimes mais graves já julgados na região, que aconteceu em 29 de janeiro de 2024. Na ocasião, o filho, Matheus Melo, tinha 18 anos.

Segundo a denúncia, o filho e o amigo planejaram o assassinato dos pais durante dois meses.

Um dos condenados, filho das vítimas, foi considerado culpado por assassinar o próprio pai, Márcio Elizeu Melo, de 45 anos, a facadas, e tentar matar a mãe, que sobreviveu após sofrer mais de 20 golpes. A mãe prestou depoimento a portas fechadas, em respeito à gravidade dos fatos e à sua condição como sobrevivente do crime.

Ele foi condenado a 25 anos e 4 meses de reclusão pelo homicídio qualificado, 16 anos e 10 meses pela tentativa de homicídio qualificado e 1 ano e 4 meses por corrupção de menores, totalizando 43 anos, 6 meses e 20 dias. 

O outro réu, companheiro no crime, foi sentenciado a 24 anos de reclusão pelo homicídio qualificado consumado, 16 anos pela tentativa de homicídio qualificado e 1 ano e 4 meses por corrupção de menores majorada, totalizando 41 anos e 4 meses. 
 
Crimes e qualificadoras 

De acordo com a denúncia, os dois planejaram e executaram os ataques de forma premeditada, movidos por motivo torpe, com emprego de meio cruel e que dificultou a defesa das vítimas, que foram surpreendidas durante madrugada enquanto dormiam.

Os agentes estavam armados, cada um com uma faca. O pai foi morto com pelo menos 17 golpes, enquanto a mãe sobreviveu graças ao socorro médico. O filho das vítimas ofereceu dinheiro e um veículo ao amigo para que ele o ajudasse a matar os pais. 
 
O caso ainda envolveu a participação de uma adolescente, namorada do amigo do réu, o que configurou também o crime de corrupção de menores. 

Na época da prisão, após ser desmascarado, segundo a Polícia Civil, o filho não chorou e sequer demonstrou qualquer reação pela perda do pai. Em interrogatório ele se assustou, inclusive, ao saber que a mãe havia sobrevivido.

Motivação 
Um dos fatores que motivou o crime foi a antecipação da herança, para que os réus pudessem comprar um terreno para o plantio e cultivo de droga.  

Os réus deverão iniciar o cumprimento das penas em regime fechado. A decisão ainda é passível de recurso. 

A defesa do filho do casal disse que o cliente é portador de transtorno psicológico e que recorrerá da decisão para diminuir a pena.

Cronologia

  • No dia 29 de janeiro, Matheus disse aos pais que iria a casa de um amigo e demoraria um pouco voltar;

  • Pouco depois de meia-noite, ele e o amigo chegaram na casa dos pais e entraram por uma janela lateral;

  • Quando o filho e o amigo estavam dentro da casa, o pai ouviu e saiu do quarto. Neste momento o amigo golpeia o pai no pescoço, entram em luta corporal.

  • Durante a luta, o pai teria dado um chute no filho, sem saber, e logo depois a mãe acorda e também sai do quarto. Sem identificar o filho, ela vai naquela direção e o filho a golpeia na região do tórax, de seis a sete vezes, segundo a confissão. Depois que o amigo neutraliza o pai, vai para cima da mãe, golpeia nas costas e na região da têmpora. Neste momento, os dois acham que o casal está morto e fogem. A dupla segue para o local onde disseram que estariam, tomam banho e trocam de roupa. O filho, segundo o delegado, colocou a roupa com a qual saiu de casa, para tentar não levantar suspeitas;

  • O agente de Polícia Civil de Indaial, Bruno Montero, disse que, quando o filho chegou ao local e foi informado do que houve, se assustou mais ao saber que a mãe estava viva.

  • “A reação dele ao saber que a mãe estava viva foi de surpresa. Isso nos causou estranheza e despertou uma suspeita inicial. Mas respeitamos o momento de suposto luto e deixamos para fazer a oitiva dele posteriormente”.