O tradicional almoço de domingo em Canoinhas promete um tempero extra neste final de semana. A ex-prefeita do município, Juliana Maciel (PL), sopra velinhas e reúne correligionários, amigos, familiares e, claro, autoridades e lideranças políticas, para uma celebração que, nos bastidores da política local, está sendo lida com lupas bem calibradas.
Embora o convite oficial carimbe o evento estritamente como uma comemoração pessoal de aniversário, o aroma de articulação para o pleito que se avizinha já toma conta das rodas de conversa.
Juliana, que consolidou sua trajetória pública no município ao iniciar a carreira como vereadora e, posteriormente, alcançar o comando do Executivo como prefeita, conhece muito bem a engrenagem local. A festividade ocorre em um período em que os partidos começam a alinhar seus quadros para os desafios eleitorais que se aproximam. É o legítimo “fazer política sem parecer que está fazendo”.
O formato é antigo e eficiente: reúne-se a base, resgatam-se as conexões partidárias e testa-se a temperatura do eleitorado sob o manto de um corte de bolo.
Como o período de propaganda eleitoral oficial ainda não começou e segue rigidamente restrito pelas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a legislação atual permite que os cidadãos e agentes públicos realizem encontros, debatam ideias e façam menção a intenções políticas, desde que não haja o pedido explícito de voto.
Essa movimentação reflete a atual dinâmica das disputas em Santa Catarina, onde o funil para a Assembleia Legislativa (Alesc) exige que os nomes com projeção regional comecem a alinhar suas bases muito antes das convenções partidárias. Assim, os aniversários, jantares comunitários e festas de igreja tornam-se o solo fértil ideal para que os grupos políticos organizem suas fileiras, meçam forças com os adversários e pavimentem as alianças que serão oficializadas nos próximos meses.
Em Canoinhas, o domingo será de festa, mas o cardápio principal, sem dúvida, será o rumo das urnas no Planalto Norte.























