Venda de ossos é uma “prática desumana”, diz Procon de SC

O Procon entende que os ossos devam ser doados, como sempre foram.

Há cerca de dois meses, muitos se chocaram ao ver uma reportagem mostrando moradores fazendo fila na frente de um açougue para pegar ossos doados por um estabelecimento, em Cuiabá (MT).

As famílias que estavam no local alegavam dificuldades financeiras e buscavam uma fonte de proteína que não lhes sacrificasse o bolso, já que a carne de boi teve aumento de mais de 30% nos últimos 12 meses.

Mas quem acha que não tinha jeito de piorar, se enganou, e o choque foi ainda maior. Muitos supermercados, em vez de doar, estão vendendo ossos de boi a um “precinho camarada”. 

Foi o que aconteceu esta semana em um supermercado de Florianópolis. No local, o osso de boi é vendido por R$ 4. Uma placa, dentro do estabelecimento diz:  “Osso R$ 4,00 Kg. Osso é vendido e não dado”. 

O fato ganhou repercussão nacional e gerou polêmica, levando o Procon SC e a Associação Catarinense de Supermercados (Acats) a emitirem uma nota técnica conjunta recomendando que empresas, como açougues e mercados, não vendam osso de boi.

O Procon entende que os ossos devam ser doados, como sempre foram, porque a cobrança fere o Código de Defesa do Consumior por exigir dele ‘vantagem manifesta excessiva’.

“No momento de crise que estamos vivendo é desumano que esses estabelecimentos estejam cobrando por ossos”, critica Tiago Silva, diretor do Procon SC.

O dono do supermercado disse que “desde a pandemia, caiu muito o movimento. As pessoas não estão mais comprando a carne aqui”, e que agora busca alternativas para aumentar a arrecadação em seu mercado, porém “quando vem uma pessoa necessitada, eu ainda faço a doação”, explicou.